14 de abril de 2012

Traduzindo uma música do Raul


Dia desses, encontrei essa música, entre uma navegação e outra, e com surpresa ouvi meu filho perguntar quem era esse que cantava. Tudo bem que o caçula - 12 - realmente poderia não ter ideia de quem seria, já que essa geração está infestada dos "starts" da vida. Mas quando o de 20 entrou na sala perguntando de quem se tratava, eu simplesmente rasguei as vestes! Hereges!!!!

Botei para eles ouvirem, mas o máximo que consegui foram mais perguntas: "o que é vitrola?"; "Flavio Cavalcanti?"... e por aí vai. Resolvi então traduzir essa música. Meu Deus! Uma década não faz sentido para outra! 

Raul Seixas, o "maluco beleza", morreu precocemente, em 1989, aos 44 anos, de ataque cardíaco (resultado de seu alcoolismo combinado com sua diabete).

Inexplicavelmente, eu estive em um dos últimos shows de Raulzito, bem debilitado, é verdade, que fez uma apresentação surpresa junto a Marcelo Nova - ex Camisa de Vênus -  no Aramaçã, Santo André, SP. Mal conseguiu cantar "Maluco Beleza".

Abaixo, a letra da música "traduzida", que me fez rir muito quando a ouvi pela primeira vez:


Tu És o M.d.c. da Minha Vida
Raul Seixas

Tu és o grande amor
Da minha vida
Pois você é minha querida
E por você eu sinto calor
Aquele seu chaveiro
Escrito "love"
Ainda hoje me comove
Me causando imensa dor
Dor!...

Eu me lembro
Do dia em que você
Entrou num bode ("ficou nervosa", chamamos hoje de T.P.M.)
Quebrou minha vitrola (espécie de "player" usado para ouvir músicas gravadas em disco de vinil)
E minha coleção
De Pink Floyd...

Eu sei!
Que eu não vou ficar
Aqui sozinho
Pois eu sei
Que existe um careta (cigarro)
Um careta em meu caminho...

Ah!
Nada me interessa
Nesse instante
Nem o Flávio Cavalcanti (polêmico apresentador, morto em 1986, após sofrer uma esquemia no meio de um programa - ao vivo)
Que ao teu lado
Eu curtia na TV, na TV...

Nessa sala hoje
Eu peço arrêgo
Não tenho paz
Nem tenho sossego
Hoje eu vivo somente
A sofrer! A sofrer!...

E até!
Até o filme
Que eu vejo em cartaz
Conta nossa história
E por isso, e por isso
Eu sofro muito mais...

Eu sei!
Que dia a dia
Aumenta o meu desejo
E não tem Pepsi-cola que sacie
A delícia dos teus beijos...

Ah!
Quando eu me declarava
Você ria
E no auge da minha agonia
Eu citava Shakespeare...

Não posso sentir
Cheiro de lasanha
Me lembro logo
Das casas da banha (supermercado nos moldes do Extra, Pão de Açucar...)
Onde íamos nos divertir
Divertir!...

Mas hoje o meu
Samsung-Garrard Gradiente (aparelho de som de última geração - na época, com rádio,toca-fitas e pick-up)
Só toca mesmo embalo quente (rocks mais acelerados, chamados "pauleira" na época)
Prá lembrar do teu calor
Então eu vou ter
Com a moçada lá do Pier (bar)
Mas prá eles é careta (fora de moda)
Se alguém
Se alguém fala de amor
Ah!...

Na Faculdade de Agronomia
Numa aula de energia
Bem em frente ao professor
Eu tive um chilique desgraçado
Eu vi você surgindo ao meu lado
No caderno do colega Nestor
Nestor!...

É por isso, é por isso
Que de agora em diante
Pelos 5 mil auto-falantes
Eu vou mandar berrar
O dia inteiro
Que você é: O Meu
Máximo Denominador Comum!... (o significado do M.D.C., título da canção).