13 de outubro de 2012

Um exemplo ante o sofrimento


A vida é simples, até as coisas complicarem. A vida é bela, até algo feio surgir. Enfim, a vida é normal, até algo absurdamente inesperado acontecer.
É isso que se lê no cabeçalho do blog que originou a matéria vista no site de Maurício Zágari.

Este post é diferente dos que costumo escrever. Fiz no improviso e não traz em si uma reflexão teológica ou bíblica. Mas essa história me tocou tão profundamente, me fez sentir tão pequeno diante da gigante que você conhecerá abaixo que não consegui me furtar a compartilhar esse relato com você. A gigante a que me refiro é a pequena Ana Luiza, de 7 anos, atacada por um câncer agressivo. Nada menos que um tumor de 5 centímetros na base do crânio, com diversos outros tumores espalhados pelos dois pulmões, lesões cancerígenas em duas vértebras da coluna dorsal, mais um tumor no osso da perna e a infiltração do câncer na medula óssea.

Confesso que me senti um reclamão ingrato depois de ler o relato da luta de Ana. Tomei conhecimento dessa história pelo mano Carlos Alberto, editor do Jornal Sal da Terra, depois de ter sido divulgada pelo blog vidAnormal , que, pelo que entendi, foi criado pela mãe de Ana, Carolina Varella. Recomendo com ênfase que você leia o relato inteiro, clicando neste link. Não tenho muito o que falar, as imagens e o texto falam por si. Reproduzo abaixo apenas alguns trechos do que Carolina escreveu e, em seguida, posto as fotos do blog dela. E, diante delas, me silencio com vergonha. Com a palavra, Carolina Varella:
“É tão fácil reclamar da rotina. Eu que o diga. Depois de 1 mês de internação, não aguentava mais o cheiro do pão de queijo da lanchonete do hospital, minhas costas gritavam de dor por causa do sofá (que usava como cama) e a rotina desgastante do tratamento me impedia de dormir por mais de 3 horas ininterruptas. Durante a madrugada, toda hora entrava uma enfermeira no quarto, tinha um remédio pra dar, levá-la ao banheiro arrastando um suporte de soro, quantificar a urina…

Enquanto eu me lamentava, lá estava Ana Luiza… rindo! Enfrentou uma barra pesadíssima, passou por circunstâncias que você só imagina em filmes de terror e estava lá… rindo pela centésima vez do Robin Rotten, o vilão de Lazy Town. Se pra mim a rotina era ruim, pra ela deveria ser péssima, mas nada deveria nos impedir de sorrir. Que dizer, de dar gargalhada. Era exatamente isso que ela fazia.

A gente se sente muito pequeno perto de pessoas assim: que simplesmente sabem viver a vida. E nossos pequenos, sempre tem algo pra nos ensinar. Nós que somos péssimos alunos. E é ainda mais vergonhoso, quando a gente aprende as coisas, tendo que passar por circunstâncias difíceis.

(…) Durante o período de internação, em que a gente acaba ouvindo todo tipo de história e conhecendo todo tipo de gente, diversas vezes, ao afirmar que eu acreditava que Deus estava sendo muito bondoso conosco, era inevitável que algumas pessoas falassem: “Bondoso? Ele permitiu um câncer na sua filha e é bondoso!?!?”

Sinceramente, esse raciocínio é bem óbvio e é inevitável concordar! Afinal que tipo de deus, permite uma doença terrível dessas, em uma criança linda, amada e generosa como minha filha? É lógico que vendo dessa forma, Deus é um monstro.

Mas essa visão é simplista demais. É a mesma visão das pessoas que olham a vida em preto e branco. É a visão de pessoas que só enxergam as coisas que estão diante do nariz. O engraçado é que eu (ou até mesmo você que está lendo agora) poderia ser uma dessas pessoas há menos de um ano atrás.”

Agora veja as fotos desse exemplo de ser humano:

Jun 2010 – Vida normal

Jul 2010 – Niver de 7 anos (2 meses antes do diagnóstico)

20 Set 2010 – Dia do diagnóstico através da ressonância

Out 2010 – 1º Ciclo de Quimio

Out 2010 – 2º Ciclo de Quimio

Out 2010 – Saindo animada de uma consulta

Nov 2010 – 3º ciclo de Quimio

Nov 2010 – Aguardando alta hospitalar

16 Dez 2010 – Recuperando dos efeitos da quimio

29 Dez 2010 – Em BH

01 Jan 2011 – Ano Novo, Chapéu Novo

18 Jan 2011 – Aguardando na indução anestésica

18 Jan 2011 – Após a cirurgia, ficou apenas 12h na UTI

20 Jan 2011 – Tomando um sorvete de napolitano

jan 2011 – Em casa, após 5 dias da cirurgia.

Fev 2011 – Após implante de cateter central para coleta de células tronco

Fev – 2011 Cateter para coleta de células tronco

Fev 2011 – Alta após colocação do cateter

Fev 2011 – Coleta de Células Tronco

Fev 2011 – Aguardando para fazer a cintilografia óssea pré-transplante

Fev 2011 – Distraindo a cabeça enquanto faz quimio de altas doses

Fev 2011 – Fazendo graça com o coletor de vômitos na TMO

Março 2011 – Ida para UTI

Março 2011 – Força, Leucócito!

Março 2011 – Voltando a sorrir graças a Polvina =D

Março 2011 – Comendo um macarrão com molho de tomate na UTI

Mar 2011 – Feliz da vida, fora da UTI

Mar 2011 – Recebendo muitas visitas e ganhando muitos presentes.

Mar 2011 – Visita da Giulia e família

Mar 2011 – Planejamento da Radioterapia

Abr 2011 – Dia da alta após 47 dias de internação: Fabi e Ana Luiza, juntas na luta contra o câncer.

Abr 2011 – Primeiro dia no hotel

Abr 2011 – Muitas visitas e presentes no hotel

Abr 2011 – Escrevendo bilhetes enquanto recebia a medicação em casa

18 Abr 2011 – Primeiro dia de Radioterapia no crânio

Abr 2011 – Ana Luiza, Laura e Júlia

Abr 2011 – Jogo do Corínthians

Abr 2011 – Passeios e mais passeios! =)
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Não preciso escrever mais nada. Só posso dizer obrigado a Ana, por seu exemplo. E, depois, morrer de vergonha. Ah, sim, não poderia deixar de registrar:  Ana não sobreviveu, mas deixou um exemplo de força e persistência que é uma inspiração para cada um de nós e semeou amor e compaixão durante toda a sua longa luta.
Vi a reportagem no Apenas, de Maurício Zágari.
Também tenho meus "bebês"e só de imaginar, sofro e igualmente me envergonho por me pegar reclamando sobre as faltas que as cebolas do Egito, hora ou outra, parecem me fazer.


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