6 de setembro de 2015

O que vou pregar aos formandos?


Dia desses, ao parabenizar um amigo virtual no Facebook, recebi mais um convite para palestrar, dessa vez para pastores formandos de uma escola de Teologia.

Não pude ir: meu gentil amigo mora em Belo Horizonte, sete horas de carro daqui, e teria que dedicar uns bons dias, me ausentado do meu trabalho e gastando dinheiro que, no momento, não disponho.

Não que ele não se dispusesse a pagar, mas não creio ser algo que valha a pena ser bancado dessa forma. Caso eu fosse, levaria esposa e filhos, lhes apresentaria a Pampulha, o mercado municipal, iria na casa de outros queridos amigos para diverti-los com meu sotaque "paulista-nordestino" (sim, amigos paulistas: nós temos sotaque e ele é bem engraçado para muitos ouvidos por aí). 

Gosto de viajar, mas fica estranho quando o faço sem a presença dos meus: quero que eles desfrutem junto comigo das coisas belas desse país, e isso demanda um fundo financeiro que não tenho.

Mas, supondo que pudesse ir: o que traria aos novos pastores que estariam sendo diplomados?

Tenho alguns cursos na área, estudei algumas coisas, tenho alguns certificados empoeirados enchendo gavetas que me dariam a autoridade de usar títulos em frente ao meu nome (e conhecimento em neurolinguística capaz de enganar pessoas com falsos títulos que dariam aos ingênuos a sensação de poderio espiritual acima dos pobres pastores mortais).

Isso nada significa.

Adquiri esse conhecimento logo nos primeiros anos de caminhada cristã e, em alguns casos, através de pessoas que me eram referência, mas que hoje, após duas décadas, lembram muito os canalhas que tanto denunciavam e combatiam.

Cabos eleitorais, manipuladores de massa, egocêntricos em uma fome insaciável de aplauso, poder e dinheiro.

Dia desses, conversava com uma amiga médica. Ela me contava como já poderia ter enriquecido: bastava aceitar as comissões depositadas automaticamente em sua conta corrente cada vez que ela usasse determinado produto em suas cirurgias. Citou como exemplo um pequeno "aparelho", as vezes necessário, que lhe renderia bonificação de dois mil reais cada vez que era usado (e esse era o que pagava pouco). A razão dela não aceitar a bonificação - já que os pequenos recursos tecnológicos eram usados de qualquer forma - era não ceder à tentação de poder alterar seu diagnóstico, podendo mudar desnecessariamente caso sua necessidade financeira falasse mais alto que a necessidade de uso em seu paciente. Podeira ceder - a longo prazo - em utilizar desnecessariamente produtos só para que isso pudesse lhe render mais depósitos em sua conta corrente.


Ouvindo aquilo, pensei em meus antigos referenciais de caminhada cristã, e de como tantos deles se corromperam na caminhada. Quantos viram a necessidade bater à porta e foram cedendo gradativamente, como o alcoólatra que diz: "só mais esse copo".

Olhei com tristeza para minha amiga, imaginando quanto tempo ela ainda resistirá a essas ofertas, e de como poderá se arrepender de não ter começado a pegar antes.

Não que eu duvide da índole dela. Jamais! A família dela é um exemplo de retidão ética. Mas vi homens - de Deus - insuspeitos escorregarem e se corromperem por bem menos.

Talvez, caso eu fosse até Belo Horizonte, contaria apenas essa história, lembraria que a ingratidão e o abandono seriam bons argumentos para justificar os comportamentos eticamente reprováveis, e que caberia a eles continuar nadando contra a maré.

Malcolm Muggeridge citou:
"Nunca se esqueça que apenas os peixes mortos nadam a favor da corrente."
Falamos sobre um Deus Vivo, sendo nossa grande mensagem nossa vida social, buscando nos apresentar condizentes com nossa mensagem. Se for um morto falando sobre a Fonte da Água Viva  e não daremos a veracidade que nossa mensagem é capaz de causar.

Talvez viajasse por horas apenas para falar isso.

Muito pouco para quem estudou e se preparou para um grande ministério.

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