31 de outubro de 2015

E assim, morreram os sodomitas.


Se você chegou até aqui, muito provavelmente deve imaginar que se trata de mais um texto sobre a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo.

Será?

Biblicamente falando, muitas cidades foram destruídas por guerras, calamidades naturais, invasões. Nínive foi avisada pelo profeta que seria destruída, e de Jerusalém, não sobraria pedra sobre pedra.

Mas Sodoma - juntamente com Gomorra - duas das cinco cidades-estado do Vale do Sitim, descrito como local paradisíaco (o que influenciou a escolha do sobrinho de Abraão na hora da separação dos rebanhos. Ló se guiou pelo que viu: seu próspero e verdejante cenário), foi publicamente condenada pelo Deus altíssimo, que enviou pessoalmente representantes para destruí-la.

Os dois "varões" chegam a cidade para o resgate de Ló, o sobrinho, que nada sabia. O generoso anfitrião corre para acolher os visitantes sobre seu teto, com a benevolente preocupação com o bem-estar dos forasteiros, atípica naquele meio social.

A generosidade é constante nos ensinamentos bíblicos: João Batista ordena que aquele que tem duas túnicas, divida com o que nada tem. Que ajudemos viúvas e órfãos (pessoas que na sociedade judaica de época estavam abaixo da linha da miséria e que nada poderiam retribuir). A multiplicação de peixes e pães parte da entrega do lanche de um garoto que tinha peixes e pães em quantidade para si mesmo.

Generosidade é algo não muito em alta nesses momentos. Claro: alguns líderes religiosos usam o termo para engordar suas contas quando apelam em discursos quando querem aumentar sua arrecadação, prometendo - claro - benefícios divinos para aqueles que colaboram em seus "ministérios". 

Não demora para a casa de Ló ser cercada por moradores da cidade, jovens e idosos, de todas as classes e credos, ordenando a entrega dos estrangeiros para que fossem sexualmente abusados. O trecho de Gênesis 19 nos conta:
E chamaram a Ló, e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos.
Então saiu Ló a eles à porta, e fechou a porta atrás de si,
E disse: Meus irmãos, rogo-vos que não façais mal;
Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu telhado.
Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Como estrangeiro este indivíduo veio aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo? Agora te faremos mais mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o homem, sobre Ló, e aproximaram-se para arrombar a porta.
Gênesis 19:5-9
Ló oferece as filhas para satisfazer o desejo explícito de toda aquele grupo, como se fosse prática comum em sua família, sendo ele mesmo tratado preconceituosamente por conta de não ser um participante da "linha de pensamento" local.

O parente de Abraão, que como o tio, tinha em sua formação a generosidade com o forasteiro - oposto daquela sociedade próspera, irritou os moradores: A compaixão com desconhecidos, a acolhida com aqueles que não tem onde pousar era o oposto do que se via em Sodoma:

"O que nos vem é nosso, não dividimos. Usufruímos de absolutamente tudo que queremos, sem nenhum tipo de constrangimento ou vergonha. Que morram, não importa: nos cabe apenas o que nos pode ser oferecido". Eis a filosofia da bela cidade.

Embora Sodoma tenha dado origem a termos que representam a imoralidade sexual, a sodomia é um pecado bem mais grave do que esse, mas como o egoísmo e egocentrismo é prática comum nas atuais sociedades, não se vê o dano além da prática homossexual frisada por alguns religiosos.

O método sodomita parecia funcionar, já que essa filosofia colaborava no desempenho positivo na prosperidade de seus  moradores. O egoísmo gomorrita, acostumado desde criança a não compartilhar suas dádivas, nunca foi razão de prejuízo.

Sociedades como essa não dão chance de regeneração para ninguém, mesmo para pessoas boas como Ló, de linhagem de gente escolhida pelo próprio Deus.

Abraão, momentos antes, propôs a Deus que a região fosse poupada, caso houvessem, pelo menos, dez pessoas que não fossem malignas, condizentes com o perfil perverso dos habitantes dali.

A comunidade não pode ser poupada: era uma sociedade feita de pessoas irremediavelmente perversas. Alguns rabinos defendem que o sexo era usado como forma de subjugar seus visitantes, humilhar maldosamente os que lá chegavam, não havendo relação a fonte ou forma de prazer (tal prática é comum em alguns presídios espalhados pelo planeta).

Podemos encontrar em alguns textos da mitologia egípcia o uso do sexo homossexual entre os deuses de seu panteão como forma de domínio sobre o outro (uma dica de leitura para o assunto pode ser lida em Guerra de deuses e homens - Zecharia Sittin).

O egoísmo, se adotado como estilo de vida de uma sociedade, tende a denegrir moralmente qualquer cultura, apesar dos aparentes benefícios que tal prática pode oferecer. Certamente, a família de Ló, poupada de ser destruída junto com a cidade, foi afetada pelo meio em que estava inserido: a esposa se entrega à tentação de ser destruída junto com seus antigos vizinhos, transformando-se em estatua de sal, um . A incredulidade de seus genros também os mantiveram inertes na fuga, morrendo na certeza racional que o seu querer, mesmo que perverso, os manteria a salvo.

As duas filhas, sobreviventes, e já moralmente pervertidas, decidem embebedá-lo para manter relações sexuais com o próprio pai, para que dessem - na lógica sodomita - descendentes a linhagem de Ló. Os filhos-netos seriam Amom e Moabe, patriarcas de povos que seriam inimigos em muitas guerras de seu próprio povo, os descendentes do tio Abraão, que seriam chamados israelitas.

Novamente o racionalismo sodomita, que cuida apenas do que lhe parece bom a seus próprios interesses, sem limites ou ética, mostrou sua contaminação e capacidade de destruição, nos dando a clara certeza que o ideal é que nem Ló e sua família deveriam ter escapado da destruição da linda cidade.

Dentro disso, podemos entender que a sodomia está além do homossexualismo, mas fala muito mais a respeitos de um grupo de pessoas egoístas, preconceituosas com os que não são do seu meio, e que não tem limites em seus atos (já que suas certezas e sucesso são o "norte" de sua bussola que aponta que estão fazendo tudo certo.

Se você chegou a esse ponto da leitura e se sentiu incomodado com a descrição do que é ser sodomita - possivelmente por ter se enquadrado nela, reveja seus conceitos: não é novidade que Deus não se agrada do soberbo, e derruba a todos.

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