12 de junho de 2011

Uma praia diferente


Uma simples praia egípcia em Nuweiba. Você pode garantir que conhece praias mais belas. Eu mesmo, potiguar por nascimento, tenho as praias de Natal, como Ponta Negra, que me garantem a declaração.

Não são as areias ou as belas ondas o o grande atrativo dela, mesmo porque nem são. É o peso histórico que carrega que faz dela um cenário digno de ser conhecido.

Imagine-a sem os guarda-sóis e os belos chalés em sua volta. Pense no cenário em algum lugar da História como um dos pontos de tensão mais terríveis e espetaculares já produzidos neste mundo.

Dois milhões de pessoas estavam saindo do país, após séculos de escravidão, e se apinhavam diante daquele mar, conduzidos por um ancião. Nele, a promessa de que o próprio Deus tinha planejado o que chamaram de êxodo. Homens, mulheres e crianças, cujo descendente mais nobre, José do Egito, o responsável pela bonança dos faraós, trouxe-os em outro tempo, com toda a parentela quando todo o mundo conhecido passava fome e eles eram tratados com o respeito devido.

Agora, entre morrer afogados ou morrer pela espada do exército egípcio, Moisés pergunta ao Eu Sou se todo seu trabalho e esforço, entre pragas e encontros diplomáticos, valeu a pena. Se a terra tão prometida está a sete palmos de onde estão agora.

Não é fácil imaginar o mar se abrindo, a correria de uma multidão entre as águas emparedadas, enquanto o som das bigas egípcias estrondam cada vez mais próximas.

O acontecimento fantástico foi testemunhado por toda uma nação que contará o episódio pelos séculos dos séculos: o dia em que pensávamos que nossos ancestrais morreriam no fim de sua escravidão, e o grande El Shaday nos livrou de forma impossível, fazendo-nos um país.