1 de maio de 2015

Porteiro de Prostíbulo - uma história real

Não havia no povoado pior emprego do que ‘porteiro da zona’. Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem?

O fato é que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, não tinha nenhuma outra atividade ou ofício.

Um dia, entrou como gerente do puteiro um jovem cheio de ideias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento.

Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções.

Ao porteiro disse:

– A partir de hoje, o senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram e seus comentários e reclamações sobre os serviços.

– Eu adoraria fazer isso, senhor, balbuciou – Mas eu não sei ler nem escrever.

– Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui.

– Mas senhor, não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa.

– Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo senhor. Vamos dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu sinto muito e que tenha sorte.

Dito isso, deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer?

Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho.

Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego.

Mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado.

Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa.

Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra. E assim fez.

No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:

– Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar.

– Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar, já que…

– Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.

– Se é assim, está bem.

Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:

– Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?

– Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias de viagem, de mula.

– Façamos um trato – disse o vizinho.

Eu pagarei os dias de ida e volta, mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento. Que lhe parece?

Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias. Aceitou.

Voltou a montar na sua mula e viajou.

No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.

– Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo.

Eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras.

Que lhe parece?

O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: ‘não disponho de tempo para viajar para fazer compras’.

Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas.

Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro, trazendo mais ferramentas do que as que já havia vendido.

De fato, poderia economizar algum tempo em viagens.

A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem, faziam encomendas.

Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes.

Com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão e transformou o galpão na primeira loja de ferragens do povoado. Todos estavam contentes e compravam dele.

Já não viajava, os fabricantes lhe enviavam os pedidos. Ele era um bom cliente. Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, a ter de gastar dias em viagens.

Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos.

E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc …

E após foram os pregos e os parafusos…

Em poucos anos, ele se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas.

Um dia decidiu doar uma escola ao povoado.

Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício.

No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e disse:

– É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do livro de atas desta nova escola.

– A honra seria minha, disse o homem. Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou analfabeto.

– O Senhor? disse incrédulo o prefeito. O senhor construiu um império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado. Eu pergunto:

– O que teria sido do senhor se soubesse ler e escrever?

– Isso eu posso responder, disse o homem com toda a calma: – Se eu soubesse ler e escrever… ainda seria o PORTEIRO DO PUTEIRO

Essa história é verídica, e refere-se a um grande industrial chamado… Valentin Tramontina, fundador das Indústrias Tramontina, que hoje tem 10 fábricas, 5.500 empregados, produz 24 milhões de unidades variadas por mês e exporta com marca própria para mais de 120 países – é a única empresa genuinamente brasileira nessa condição. A cidadezinha citada é Carlos Barbosa, e fica no interior do Rio Grande do Sul (existe na Internet quem conteste a história).

Geralmente as mudanças são vistas como adversidades.

As adversidades podem ser bênçãos.

As crises estão cheias de oportunidades.

Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.

Lembre-se da sabedoria da água: ‘A água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna’.

Que a sua vida seja cheia de vitórias, não importa se são grandes ou pequenas, o importante é comemorar cada uma delas.

Vi aqui

23 de abril de 2015

O ladrão e minha dificuldade em perdoar.

- O que? Ele não quer dar o celular? Dá um tiro nele logo... "nóis é" o crime!

Assim disse o sujeito da moto, quando meu filho resolveu não dar o aparelho ao outro ladrão, que desceu da garupa com arma em punho e recolhia os aparelhos de mais dois amigos dele. Os ladrões eram jovens (e não sei se cabe aqui a discussão se eles tinham anos a mais ou a menos para serem punidos pela Lei) e não se importavam que eram duas da tarde de uma quinta-feira, e nem do ponto de ônibus  - onde esperavam o ônibus que os levariam para o trabalho -  estar cheio de testemunhas.

Gabriel, debaixo de ameaças de morte e com uma eminente coronhada prometida, entregou a contragosto o celular, o segundo aparelho roubado em menos de um ano. Chorou de raiva. Não era um "top" de linha, mas ele trabalhou para obtê-lo e ainda nem estava pago. O mesmo aconteceu com os outros dois rapazes roubados: eles se submetem a empregos ruins para conseguir um salário baixo, mas que possa bancar a prestação de seus sonhos de consumo.

Gabriel pegou o coletivo e trabalhou - como sempre faz -  até as dez da noite, sem nos avisar do roubo. Descobrimos antes, de forma angustiante. Uma voz infantil ligou usando o chip do aparelho por volta das oito da noite.

- Oi. O celular do seu filho foi roubado e tá aqui na biqueira* apitando. Queremos devolver, estamos com medo da policia baixar aqui por conta do localizador do celular... Manda ele vir buscar...

Descobrimos depois que a mesma pessoa ligou para diversos contatos da agenda contida no chip: hora pediam senha do aparelho (que estava programado para "resetar", caso alcançasse dez tentativas sucessivas de desbloqueio sem sucesso), hora faziam ameaças. Queriam o endereço da minha casa.

*Biqueira, caso alguém não saiba, é como chamam atualmente aqui em São Paulo o lugar onde se vende drogas. Os aparelhos estão lá, inúteis em uma gaveta (já que podem ser localizados) e serviram como moeda de troca de algum novo revendedor de drogas na região. Um conhecido disse que certas assistências técnicas pegam os aparelhos para utilizar as peças na manutenção de outros aparelhos. Isso já acontece no "mercado" de furto de carros.

Já há algum tempo que são frequentes os roubos em pontos de ônibus acontecem na região. As vezes fazem as 6 da manhã, quando a pessoa se dirige para o trabalho. A polícia, na maioria dos casos, foi notificada. Segundo um dos moços que procurou uma delegacia para fazer o boletim de ocorrência, o pessoal lá não dá muita atenção para este tipo de caso. Infelizmente, creio que será necessário que alguém morra e a imprensa divulgue o caso para que isso possa ser investigado.

Na região não faltam comandos policiais recolhendo carros irregulares aos pátios, e nos bairros mais "ricos", o policiamento é mais ostensivo. Por isso, o bandido hoje rouba o que vive na periferia e na favela.

Todos sabem que estamos sendo roubados, todos sabem onde fica o ponto de tráfico. A luz do dia, testemunhas, câmeras de segurança, não inibe a necessidade do candidato a bandido cometer suas covardias com arma em punho.

Um versículo que sempre me incomoda em dias como este é:

Eis que venho como ladrão - Apocalipse 16.15

Sim. Tenho dificuldade em lidar com essa injustiça, aceitar pessoas que deliberadamente colocam armas na cara de pessoas e levam, pela violência e intimidação, coisas que nunca fizeram por ter.

Sabe aquelas pessoas que, ao observar o motoqueiro empinar com sua moto, torce intimamente para que ele caia? Sou cristão: me surpreende que certos sentimentos me invadam.

O discurso certo é perdoar quem me agride, mas meu filho foi atingido- e vários amigos, deles e meu - que perdem periodicamente seus bens para que um jovem tente ingressar no tráfico (ou consumir do mesmo), gritando com revolver na mão que ele é o "Crime" enquanto leva o bem da empregada que comprou em 12 vezes sem juros nas Casas Bahia, geram em mim um sentimento confuso, uma satisfação íntima quando imagino que - logicamente - em breve esses moços estarão amargando alguma vala anônima, ou levando toda a família a visitá-lo em alguma penitenciária. 

Eu sei: eles podem se converter e, em um belo dia, estarem de mãos dadas comigo na Igreja, cantando corinhos sobre a Graça divina. Mas por hora, são apenas homens de Belial, e como tal, seus dias serão abreviados na Terra.

Mas por que Cristo escolheu justamente um ladrão para explicar a forma que Ele virá a cada um de nós?

Quando se é assaltado, o sentimento de impotência habitualmente nos invade. Dias depois, ainda simulamos como teria sido se agíssemos de forma diferente, se ao invés de irmos por certo caminho escolhêssemos outro, se pudéssemos estar alertas a algo que parece tão óbvio depois que acontecesse. Saber se defender, enxergar o que estava se desenhando a nossa volta.

Costumo estar bem atento quando procuro caixas eletrônicos. Sei que já escapei de algumas ciladas, quando observei que algumas coisas não se encaixavam no ambiente onde precisava sacar meu salário. Via que algo estava estranho na atitude de um ou outro individuo que não faziam o que deveria ser feito nesse tipo de lugar.

Sim. A necessidade de estar em constante alerta explica a pretensão de Cristo de vir no tempo Dele e não no nosso. Procurar estar preparados para esse encontro a cada instante é a proposta de Cristo.

Quanto ao Ladrão, que rouba para comprar drogas para revenda, o faz porque há quem consuma desse mercado. E se polícia, por exemplo, sabe desse mal e não reprime, nem no roubo  - mais complicado de pegar - ou na biqueira, onde todos conhecem e consomem, deixa em nós uma sensação de que filmes como Tropa de Elite ou Cidade de Deus não são tão exagerados.

21 de abril de 2015

Somos todos hipócritas


Existem muitas formas de despertar.

Falo de sono mesmo, daqueles que nos abatem no ônibus ou nos faz pernoitar pesadamente, nos preparando para um novo dia de trabalho. 

Usando essa nossa necessidade cotidiana como figura de linguagem, muitas vezes acordar para uma realidade nem sempre é algo confortável. Muitas vezes é como tirar o pesado edredom em um dia de frio intenso, nos trazendo o convite para andarmos em uma madrugada chuvosa rumo a nosso cotidiano.

Claro: sempre existirá o que acorda aos pulos, sem sono, e cantarolando, ou aquele que levanta até antes do despertador anunciar que é hora. No caso da vida, de ter que abandonar o conforto de um ninho existencial e encarar um mundo sem as ilusões da dormência, a reação inicial em geral é de típico mal humor (salvo casos onde a falta de conforto do travesseiro é tal que qualquer mudança de ambiente é bem-vinda).

Estranhamente, muitas vezes o sussurro suave ao pé do ouvido é tomado como um chacoalhão, como se um terremoto ocasionasse esse despertar.

Anos atrás, quando me deparei com meu primeiro ateu nas redes sociais (falo de quase duas décadas passadas), sujeito de argumentação truculenta, cheio de informações e dados biográficos, citações de pessoas inteligentes, cientistas, filósofos. Enfrentava alguém que prestava atenção nas aulas de ciência e biologia (aulas que eu nunca frequentei) e tive que lidar com argumentos falaciosos que jamais tinha lidado, já que minha conversão levava minha visão para um mundo de Poliana, onde tudo dava certo, e não exigia - nem estimulava  - questionar qualquer líder que me ensinava.

Foi ali meu primeiro "despertar". 

Reagi de forma igualmente truculenta, quis revidar a agressão emocional que aquilo me causava, e ele, Fernando, não poupou observações e acusações sobre meu comportamento nada cristão. Eu estava revidando, ao contrário do ensinado por meu Mestre, que ofereceria a outra face. Fernando contava com isso, é verdade: descobri posteriormente que ele usava o tempo livre nisso e divertia-se com a possibilidade de agredir e humilhar infinitamente sem se preocupar com o revide, mas eu, novo nesse negócio de ser crente, não me importava com a máscara de evangélico que tinha que usar. Na época, nossos nomes e apelidos não tinham fotos que nos identificassem. Fica fácil ser nós mesmos quando se tem a ILUSÃO de que não se pode ser identificado e, portanto, falamos publicamente o que não se diz nem em reunião de família regada a cerveja ). Hoje, curiosamente, muitos falam abertamente esses absurdos, esquecendo que são identificados.

O mais estranho é que os outros cristãos do grupo (um fórum virtual que até então apenas acompanhava, lendo os comentários e debates) - pareciam indiferentes às declarações terríveis e reais daquele ateu - procurando protegê-lo (de mim...rs) e faziam de tudo para mantê-lo sempre por perto. 

E eu? Minha fé foi posta em dúvida. As palavras lidas e as provocações implodiram lentamente meu sistema de crenças: havia verdade no que ele dizia e, como alguém que foi chamado de um lindo sonho, acordei bem mal humorado.

Sim, amigos: foi nessa que me "ateizei". Detestava constatar que os inteligentes não acreditavam em Deus. Será? A resposta dessa pergunta seria outro despertar, já que voltei a ler tudo que aqueles debatedores cristãos "nada-ortodoxos" escreviam e constatei que eles já tinham superado "aquilo" há tempos. Ficou claro que o ateísmo na minha vida era uma escolha a ser abraçada ou descartada, sem que o Mestre interferisse (o que parece estranho sempre, mas não é).

Nesse tempo também percebi que muitos dos meus amigos de igreja evitavam esse pensamento cético, como se fosse um abismo a ser ignorado - mas sempre evitado, e que o mundo colorido das bobagens evangélicas religiosas fosse uma eterna solução. No fundo, eles sabiam que fingiam crer usando o sistema de regras de sua religião e no fundo, eram tão ateus quanto eu estava. Mas precisavam manter-se ali - não me pergunte o porquê. Subiam ao púlpito e despejavam jargões e jargões sobre a plateia apática, como se treinassem para falar em algum congresso para crentes que não os conhecessem.

Como ensinou Jung, era uma "persona" construída especialmente para aquele momento, com trejeitos, caras e bocas, com o sincronismo pentecostal de quem responde com alguma palavra mágica â mudanças de tonalidade de voz no discurso (muitas vezes ouvi pessoas falando sobre Satanás com a tonalidade de quem fala de Deus, e o ouvinte acaba gritando um "aleluia", dando graças, sem perceber, às obras do inferno).

Talvez você discorde do título deste texto, mas se você tem um perfil registrado no Facebook, por exemplo, você tem sua persona, sua máscara construída sem as sombras que fazem parte do seu cotidiano. 

Confessa: assim como na igreja, procuramos mostrar apenas nosso lado bom nas redes sociais. Nossas fotos normalmente não mostram realmente quem somos na verdade: temos pneu, mau halito, trejeitos estranhos. Não falamos em versículos e nem nosso assunto é um só. Moralmente, montamos o ideal, não o real. 

Alguém pode protestar, negando isso. Que em casa e na igreja - e quem sabe no Facebook - são exatamente iguais. Resta saber se dentro dessa pessoa ela é tão boa quanto pensa que é.

Sim. Usamos máscaras para sermos aceitos, para nos acharmos dignos de ser amados, para ser incluso no grupo que está em alta.

Deus mesmo não se importa com isso. Na verdade, para falar com Ele, temos que nos despir de todas as máscaras, de toda a hipocrisia, e nos apresentarmos nus. Foi nu que eu reencontrei o Senhor. E é nu  que sempre tento permanecer diante Dele.

As pessoas do meu meio sentem-se incomodadas com minha "persona" que não teme as "sombras". A Palavra diz que não existe um justo sequer, embora meu Senhor justifique milhares de milhares.

11 de abril de 2015

Escritor famoso pega dois anos de cadeia por manter caso homossexual

Vide caso da foto no link do fim da postagem. 

Aconteceu na Inglaterra.

O escritor, conhecido pelas roupas extravagantes e a forma revolucionária de escrever seus contos, Casado, com dois filhos, foi flagrado em caso homo afetivo com rapaz 15 anos mais jovem (25 anos), o que é proibido por lei. 

Além de dois anos de trabalhos forçados, foi lhe dada falência sistemática.

Tal escândalo parece ter roubado, na época, o prestígio de Oscar Wilde, autor de "O Retrato de Dorian Gray", que tinha 41 anos quando tal crime veio a público. Sua obra literária, que sempre debochou da aristocracia local, encontrou nessa pena vingança quando sua homossexualidade veio a tona.

9 de abril de 2015

Como será - ou está sendo - o fim do mundo?


 Há décadas, pesquisadores alertam sobre os riscos à humanidade que a superpopulação pode trazer. Por volta de 1972, o cientista John Calhoun elaborou um famoso experimento com ratos, construindo um paraíso para os animais – um grande cenário com edifícios e alimentos ilimitados. 


Inicialmente o cientista introduziu apenas 8 ratos a população. Dois anos depois, um inferno surgiu.


O enorme cenário, conhecido como Universo 25, foi feito com o objetivo de ser uma utopia roedora, mas com o passar do tempo, a caixa, com suas rampas que iam até os apartamentos, foi ficando superlotada. No dia 560 do experimento, a população era de 2.200 animais. Foi o auge. Daí em diante, a população foi diminuindo até ser extinta. 

Por que isso aconteceu?

No auge da população, os roedores passavam todo instante em bandos de até cem ratos. Se reuniam nas principais praças para serem alimentados, e não era difícil os ver se atacando. Poucas fêmeas conseguiam dar a luz, e as que faziam, simplesmente, abandonavam seus filhotes.

Em certo ponto, os ratos não faziam nada além de comer ou dormir. Quando a população foi diminuindo, os sobreviventes perderam totalmente seus comportamentos sociais, como ter relações sexuais ou cuidar da prole.

Aplicando à realidade

Será que a humanidade pode ter o mesmo fim? O controverso experimento na época foi algo assustador, pois concluiu que se a fome não matar todo mundo, os indivíduos da espécie vão se destruir mutuamente.

Recentemente, resgatou-se da memória o Universo 25 e concluiu que, no geral, o cenário não era superlotado. Os apartamentos em cada corredor dos edifícios tinham somente uma entrada e saída, o que os faziam fáceis de se guardar. Isso fez com que os machos territoriais limitassem o número de animais em cada apartamento, o que fazia superlotar o restante da caixa.

Portanto, ao invés de superpopulação, cientistas agora argumentam que o Universo 25 possuía um problema de distribuição, algo que, segundo os pesquisadores, também pode acontecer com os humanos, que são exímios em desigualdade.