25 de abril de 2016

Testemunhos estranhos - relatos anônimos.

Pode ser que este seja apenas um conto fictício. Talvez seja algo enviado por alguém que vive esse dilema de bastidores e resolveu compartilhar o relato. 


A intenção não é julgar. Apenas apresentar o episódio e, quem sabe, o leitor tenha soluções a propor.


“O que eu quero é que meu marido tenha um pênis grande, pastor” – contou ele a esposa, logo após o jantar, quando as crianças já estavam em um sono pesado.

Era mais um dia no escritório pastoral. A pedido do marido da mulher que fez a declaração acima, o pastor chamou o casal, membros assíduos de sua igreja, para aconselhamento. Seria mais uma tentativa de reconciliar aquele casamento em vias de separação. A esposa irredutível, diante dos argumentos do líder espiritual, de que Deus tudo poderia mudar como tinha feito com diversos, proferiu a sentença acima.

Ela queria algo que as orações não podiam dar. Acreditava que a plenitude de sua sexualidade só podia ser alcançada daquela forma.

- Não é culpa dele, pastor. Mas ele simplesmente não tem como resolver minha situação dentro do que espero. Não é da natureza dele, e a minha exige mais. O senhor afirma que eu devo manter meu convívio com ele, mesmo sabendo que minha fidelidade está em risco, e que meu desejo exige mais do que minha disciplina é capaz de suportar. Tudo bem: você pode me convencer agora que isso pode ser superado. Mas o senhor estará lá pelos anos a fio, todas as vezes que a necessidade se intensificar?

-Tentei argumentar – contava ele à jovem esposa, que ouvia a tudo em silêncio, enquanto mexia distraída no celular - Falei sobre a batalha da carne contra o espírito, do que Deus pensa sobre o divórcio, da situação difícil que eles ficariam diante da igreja. Mas ela saiu de lá, irredutível, chorando diante do marido que amava, mas que era incapaz de ser homem para ela.

- Duro, não? - comentou Graziela, sem tirar os olhos do celular. – Quem diria que a irmã Lurdinha fosse capaz de algo tão cruel!
- Isso vai virar motivo de conversa por muito tempo na congregação. Todos sabemos de nossas sinas e de como devemos aceitar nossos destinos. O que ela fez foi uma loucura!
-Infelizmente, nosso meio não lida muito bem com essas atitudes... – disse ela, enquanto desligava a TV com um clique rápido, sem se dar conta da programação por ela apresentada.
- Não é uma questão de aceitação! É a Palavra de Deus que ordena...- corrigiu o pastor.
- Você lembra quando esse casal se casou? Eles eram novos, nem sabiam o que faziam. Lurdinha nunca escondeu seu desejo de casar para ter relações sexuais regulares. Paulinho parecia compartilhar da ideia...
- Sim. Fui eu quem aconselhou aqueles dois – disse ele, enquanto abria o baleiro de vidro na mesa de centro da sala e desembalava um bombom. Após breve pausa da primeira mordida, continuou
– Ela sempre falou abertamente de seus desejos sexuais, e Paulo apenas ria nervoso. Dois virgens, apesar da menina, desde o começo, ter um apetite bem maior do que o namoradinho que a escolhera quando orava. Nem imaginava que as coisas chegariam a esse ponto.
- Sexo nunca é um assunto muito fácil entre os crentes. Os que não se interessam - ou ignoram a matéria - amam se imaginar como espiritualmente superiores.
- Não penso assim, não. - comentou ele, franzindo a sobrancelha, pensativo.

Graziela não respondeu, e agora, o pastor também sacava seu celular, ao receber alguma mensagem de texto.
- Vou preparar o sermão de domingo em meu escritório. Orar a respeito.
- Tudo bem. Vou deitar em breve. Estou bem cansada.

Dirigindo-se para seu pequeno escritório, trancou-se. Algo no celular o fez buscar privacidade usando a desculpa de preparar o sermão.

Ela percebeu, claro. Não era a primeira vez que o comportamento se repetia, e comentar o assunto já fizeram ter discussões que quase os fizeram a quase se agredir fisicamente.

Ela sorriu assim que ouviu a chave da porta rodar por dentro no trinco.

Alguém do outro lado do aparelho celular mandava imagens registradas de suas genitais para ela.
- Acho que Lurdinha ficaria satisfeita com esse...

Foi ate o banheiro e retribui as fotos recebidas, mostrando o mesmo tema enviando, enquanto tomava um banho desnecessário.


2 de abril de 2016

Perdendo minha religião - um comentário.

Após postar essa música em meu perfil pessoal, “Loosing my Religion”, R.E.M., gravada em 1991, comentei sobre a profundidade da letra na legenda e um amigo acabou questionando a que profundidade me referia.

Talvez a letra fale mais comigo por conta da minha experiência pessoal com o assunto “religião”.



Um dia você levanta. Um dia como outro qualquer. Uma quinta ou terça. Tanto faz.

Mas...

Percebe que algo já não cabe mais na sua alma, e não entende bem o que é. Você cresceu cercado de informações e crenças, costumes e hábitos, e não há razão para serem confrontados. Mas o são. De forma involuntária tudo aquilo é colocado em um banco de réus.
Todo o sistema religioso, suas crenças e seus porquês perdem – de uma hora para outra - o sentido, a ponto de ficarem irremediavelmente obsoletos.

A canção fala sobre essa constatação quando, com todo cuidado, o interprete confessa que a fé dentro dos parâmetros ensinados não tem mais poder sobre ele. Acuado, como no canto da existência, sente o foco dos “holofotes” da vida confrontarem sua lógica e sua religião ir se diluindo na lógica.

Ele sente que seu ouvinte ri inicialmente, canta, mas a canção acaba com ele chorando e sem motivos de tentar insistir em suas crenças. Ele reconhece que a vida é bem maior que ele, e que este não é ela. Mas tudo pode não passar de fantasias, apenas sonhos, ilusões.
Talvez um dia você se depare com essa situação, durante um culto ou gira, missa ou reza, quando tudo começa a fazer um sentido que aponta apenas para fora daquele entendimento.

Quem, em algum dia, nunca lutou contra o desmentido irrefutável sobre a clara bobagem pregada em um púlpito? Quem inocentemente questionou o sistema montado de entendimento, como a interpretação definitiva de algo que mesmo o autor da teologia não tem bem certeza.

A delicadeza no qual o autor da letra apresenta seus argumentos realça enormemente com os atuais neo-ateus, verdadeiros trolls, que infestam as redes sociais com suas costumeiras truculências quando se dirigem aos que ainda creem, e declaram serem superiores por não estarem atados às crenças de um deus imaginário.

Confesso que já fui truculento com ateus. Gente inteligente que questiona fatos (não os que caçoam de sua crença por ela ser claramente infantil). Você se sente agredido pela realidade apresentada, cultura, ciência, História, apesar que lá na alma, em algum lugar, Deus está em silêncio, aguardando sua decisão diante do apresentado.

Sim, amigo: o amor de muitos esfriará – como descrito pelo Cristo - devido aos interesses dos homens em embutir nas ideias religiosas suas distorções para alcançar benefício próprio. A simplicidade do contato com nosso Deus geralmente é substituída por sistemas que acabam por se perverter, como qualquer religião.

R.E.M. denuncia que o pensamento humano não ficará imerso em sistemas absurdos apenas porque alguem disse que aquilo é “sagrado” e, portanto, não deve ser questionado.

Claro: quando começamos rebeldemente a perceber a escassez de sagrados em nossa lista conhecida na vida, notamos, angustiados, que talvez boa parte de nosso entendimento não passou de um sonho.

Segue a tradução da letra.

Perdendo Minha Religião
A vida é maior
É maior do que você
E você não é eu
Os extremos que eu irei até
A distância em seus olhos
Oh, não, eu falei demais
Eu comecei isso tudo
Aquele sou eu no canto
Aquele sou eu no centro das atenções
Perdendo minha religião
Tentando me manter com você
E eu não sei se eu consigo fazer isso
Oh, não, eu falei demais
Eu não disse o suficiente
Eu achei que ouvi você rindo
Eu achei que ouvi você cantar
Eu acho que pensei ter visto você tentar
Cada sussurro
De cada hora de vigília
Estou escolhendo minhas confissões
Tentando ficar de olho em você
Como um bobo magoado, perdido e cego
Oh, não, eu falei demais
Eu comecei isso tudo
Considere isto
Considere isto
A dica do século
Considere isto
O deslize que me deixou
De joelhos no chão
O que aconteceria se todas essas fantasias
Se tornassem realidade?
Agora eu falei demais
Eu achei que ouvi você rindo
Eu achei que ouvi você cantar
Eu acho que pensei ter visto você tentar
Mas aquilo foi apenas um sonho
Aquilo foi apenas um sonho
Aquele sou eu no canto
Aquele sou eu no centro das atenções
Perdendo minha religião
Tentando me manter com você
E eu não sei se eu consigo fazer isso
Oh, não, eu falei demais
Eu não disse o suficiente
Eu achei que ouvi você rindo
Eu achei que ouvi você cantar
Eu acho que pensei ter visto você tentar
Mas aquilo foi apenas um sonho
Tente... Chore... Por quê? ... Tente
Aquilo foi apenas um sonho, apenas um sonho
Apenas um sonho, um sonho

21 de janeiro de 2016

Taxistas japoneses relatam: fantasmas estão passando por passageiros


Taxistas que trabalham no nordeste japonês, área devastada em março de 2011 por um terremoto seguido de tsunami, relatam o surgimento de “passageiros fantasmas”.

Pelo menos sete motoristas da cidade de Ishinomaki, onde morreram aproximadamente 6,000 pessoas afogadas no Tsunami, testemunham o encontro com estes seres.

Yuka Kudo
Os homens fazem parte de um grupo de 100 motoristas entrevistados por Yuka Kudo, estudante de sociologia da Universidade Tohoku Gakuin, como parte de sua tese de graduação.

Um dos entrevistados relatou que uma mulher embarcou em seu taxi próxima a estação de Ishiomaki, poucos meses após o desastre. Ele pediu para que ele se encaminhasse para o distrito de Minamihama, no que o motorista respondeu que não havia sobrado nada daquela região após a catástrofe. Enquanto o taxista contava detalhes sobre a tragédia, a mulher perguntou: “como eu morri? ”. Quando ele olhou para trás, o veículo estava vazio.

Outro motorista, que trabalha em outro ponto da cidade contou que um homem de 20 anos, sozinho em uma rua deserta deu sinal e subiu no táxi, para ele se deparar sozinho assim que a porta se fechou.
A pesquisa de Kudo mostrou que os homens estavam convencidos que tinham presenciado um genuíno encontro fantasmagórico. Alguns deles registraram as experiências em seus boletins de trabalho e são unanimes: as aparições sempre vem como pessoas jovens.

“Jovens sentem forte frustração (com suas mortes) por não conseguirem encontrar as pessoas que amaram em vida”, afirma a pesquisadora. ”. Eles querem compartilhar de suas amarguras, e escolhem os taxistas que conseguem enxerga-los, já que os mesmos devem gozar de faculdades mediúnicas para isso”.


Nenhum dos motoristas relatou medo em suas experiências com os passageiros fantasmas, mas mostram certo arrependimento por não terem mostrado mais carinho com os mesmos no momento das aparições.


O terremoto – que alcançou escala 9 de magnitude, seguido de tsunami – tem registrado oficialmente como causa desse desastre o óbito de 15,893 pessoas. O terremoto durou 6 minutos, gerando ondas que chegaram a 40 metros de altura, invadindo quase 10 quilômetros terra adentro. Estimasse que 2,572 pessoas permanecem na lista de desaparecidos.

Taxistas não são os únicos a informar sobre as aparições na nas imediações costeiras de Tohoku. Existem inúmeros relatos sobre “figuras espectrais” vistas em distritos residenciais, além de espíritos fazendo fila diante de prédios destruídos, em lojas que não existem mais.

“Exorcistas” –que procuram ajudar na situação – informam que algumas pessoas afirmam que viram fantasmas sem cabeça, corpos sem pernas e braços. Outros ainda acreditam que esses espíritos assumiram seus corpos (como é comum nas incorporações espíritas).


10 de janeiro de 2016

Morte: aquele papo desagradável que teremos que ter



Dia desses, meu filho reclamava desse papo deprimente que ainda dominava as pautas em nossas últimas conversas familiares. Essa geração não gosta de gastar sua parca concentração em assuntos tão delicados e desagradáveis. Era inevitável, devido o ocorrido pouco antes do natal.

Era dia 22 de dezembro de 2015 quando a noticia chegou, de forma totalmente contemporânea: meu cunhado mudou a foto de perfil, informando-nos que estava de luto, mas sem avisar sobre a quem ele se referia, mas as um link acompanhou a postagem.

Não demorou para descobrirmos que sua mãe, avô e sobrinha faleceram na rodovia Rio-Santos em um acidente de carro a caminho de Bertioga. Todos moravam em São Paulo, em um prédio construído pelo então falecido avô, de noventa anos. A mãe, de sessenta, estava no volante na hora do impacto, e levava ele e a neta de sete anos. Iam para os preparativos da ceia de natal, a ser celebrada no litoral.

As filhas de meu cunhado já aguardavam a chegada na casa da praia, para se juntar à piscina da casa no dia que ainda estava quente, embora chuvoso.

Mas tudo acabou em um triplo velório aqui na cidade, obrigando a uma reunião familiar por um motivo indesejado, em volta dos corpos que não pediram para estar ali.

O pai da menina, vestida de princesa da Disney, pajeava mudo o caixão aberto, com o olhar perdido de quem não sabe o que responder diante de tamanha tristeza ou do cumprimento dos que enfileiravam para dar os pêsames.

A mãe, uma babalorixá com mais de 200 filhos-de-santo era pranteada pelos mesmos, que vieram em peso ao seu velório com as camisetas usadas no centro de umbanda. Espero que você, leitor evangélico, nesse ponto não seja cruel e comece a divagar sobre ser salvo ou não. Já vi crentes fazerem isso a beira do caixão e você não vai acreditar: só serve para quem ainda está vivo querer distância dos portadores desse papo "piedoso" de "Jesus te ama: aceite ou vá para o inferno". Não estou dizendo que seja certo ou errado, mas a quem traz consolo? Pense que poderia ser seu filho e que um defensor de outra linha teológica comece a defender que o destino deste jamais seria o descanso em Cristo.

Não era incomum vermos homossexuais com as camisetas brancas com o símbolo de sua religião, além do típico chapéu. Vi varias moças e suas namoradas, aos prantos: "E agora? onde seremos aceitas" dizia uma moça de cabelo curto e calças largas. Ali, naquela religião, elas são tratadas com uma naturalidade incomum em outras crenças cristãs. A morte da mãe de santo era tida como a perda de uma mãe carnal por alguns.

O avô tinha a sua volta os parentes mais velhos e empregados, e também não entendiam aquela partida repentina.

A mãe da menina, separada do pai, entrou em choque. Não tinha a mãe para lamentar a morte da filha, e não tinha a filha para lamentar a morte da mãe. Não tinha lágrimas e nem respondia às tentativas das pessoas em falar-lhe palavras inúteis de consolo.

Meu cunhado falava coisas desconectas, sobre como a situação podia ser diferente "se": SE ela não tivesse feito essa viagem, SE tivesse ido mais tarde ou mais cedo, SE o carro não tivesse derrapado ou tivesse aguardado a chuva ter passado.

 E Deus, claro, foi colocado na roda dos questionamentos. Nesses momentos, de uma forma ou outra, Ele sempre é lembrado.

Todos deixaremos de existir, mas sempre cremos ter um tempinho a mais. Acreditamos que deixaremos tudo arrumado, certo e completo. Haverá tempo para terminar o próximo post, de agendar nossa próxima viagem, de um ultimo beijo, de confessar e pedir perdão, temos certeza que o corpo estará lá, sempre respondendo ao que for solicitado.

Mas essa rotina de existir um dia termina. Cem por cento dos casos. Olhe a sua volta: todos mortos em breve. Eu sei: parece que ainda temos muito tempo, mas pergunte a qualquer um que esteja a beira do fim e ele lhe dirá: passou rápido demais.

"Não podia esperar mais um pouco?" - dizia o filho à mãe, a beira do caixão - "só mais esse natal...".

Não, cunhado: dia 23 acontecia o enterro e dois dias depois, você arrumou uma dor de dente, passando a meia-noite do dia 25 de dezembro sozinho, isolado em um pronto-socorro, esperando atendimento. Foi isso que você disse e é isso que a gente ouviu e não questionou.

Não. Não há muitas lições para tirar disso, mas dezenas podem ser aprendidas. Não vá falar do propósito sobrenatural nessa tragédia, não queira consolar explanando sobre os caminhos e os propósitos do Senhor. Não faça isso, ok?

A lição que nunca aceitamos das inevitáveis e - na maioria das vezes - inesperadas mortes, é que um dia será você ali. Ou sua esposa, mãe, pai, filho. O fim dos ciclos vem e não respeita data comemorativa, dias santos, dinheiro arrecadado, amores a serem conquistados, perdões a serem pedidos, sonhos a serem realizados.

E Deus?

Ele nunca escondeu nossa mortalidade. Ele avisou, assim que o homem caiu em seu egoísmo: certamente, morrerás. E mesmo com o decreto acontecendo, com ou sem Deus, não cremos.

Nossa dificuldade é aceitar isso: fomos feitos para ser eterno e isso ainda não saiu de nós.  Mesmo os que se matam, buscam um alívio da inexistência, como se houvesse sentido sentir alivio em coisas que já não existem.

Quis registrar isso por sempre ver essas coisas acontecendo no quintal alheio. Sempre vi as tragédias acontecerem longe, com estranhos que choram diante das câmeras da TV para passar no jornal sensacionalista. Hoje entendo um pouco mais a dor daqueles anônimos do jornal. Aconteceu na minha família.

E acontecerá na sua. Não esqueça. Aprenda a deixar a casa em ordem.

Caso você queira ver como foi: Veja aqui

31 de outubro de 2015

E assim, morreram os sodomitas.


Se você chegou até aqui, muito provavelmente deve imaginar que se trata de mais um texto sobre a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo.

Será?

Biblicamente falando, muitas cidades foram destruídas por guerras, calamidades naturais, invasões. Nínive foi avisada pelo profeta que seria destruída, e de Jerusalém, não sobraria pedra sobre pedra.

Mas Sodoma - juntamente com Gomorra - duas das cinco cidades-estado do Vale do Sitim, descrito como local paradisíaco (o que influenciou a escolha do sobrinho de Abraão na hora da separação dos rebanhos. Ló se guiou pelo que viu: seu próspero e verdejante cenário), foi publicamente condenada pelo Deus altíssimo, que enviou pessoalmente representantes para destruí-la.

Os dois "varões" chegam a cidade para o resgate de Ló, o sobrinho, que nada sabia. O generoso anfitrião corre para acolher os visitantes sobre seu teto, com a benevolente preocupação com o bem-estar dos forasteiros, atípica naquele meio social.

A generosidade é constante nos ensinamentos bíblicos: João Batista ordena que aquele que tem duas túnicas, divida com o que nada tem. Que ajudemos viúvas e órfãos (pessoas que na sociedade judaica de época estavam abaixo da linha da miséria e que nada poderiam retribuir). A multiplicação de peixes e pães parte da entrega do lanche de um garoto que tinha peixes e pães em quantidade para si mesmo.

Generosidade é algo não muito em alta nesses momentos. Claro: alguns líderes religiosos usam o termo para engordar suas contas quando apelam em discursos quando querem aumentar sua arrecadação, prometendo - claro - benefícios divinos para aqueles que colaboram em seus "ministérios". 

Não demora para a casa de Ló ser cercada por moradores da cidade, jovens e idosos, de todas as classes e credos, ordenando a entrega dos estrangeiros para que fossem sexualmente abusados. O trecho de Gênesis 19 nos conta:
E chamaram a Ló, e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos.
Então saiu Ló a eles à porta, e fechou a porta atrás de si,
E disse: Meus irmãos, rogo-vos que não façais mal;
Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu telhado.
Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Como estrangeiro este indivíduo veio aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo? Agora te faremos mais mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o homem, sobre Ló, e aproximaram-se para arrombar a porta.
Gênesis 19:5-9
Ló oferece as filhas para satisfazer o desejo explícito de toda aquele grupo, como se fosse prática comum em sua família, sendo ele mesmo tratado preconceituosamente por conta de não ser um participante da "linha de pensamento" local.

O parente de Abraão, que como o tio, tinha em sua formação a generosidade com o forasteiro - oposto daquela sociedade próspera, irritou os moradores: A compaixão com desconhecidos, a acolhida com aqueles que não tem onde pousar era o oposto do que se via em Sodoma:

"O que nos vem é nosso, não dividimos. Usufruímos de absolutamente tudo que queremos, sem nenhum tipo de constrangimento ou vergonha. Que morram, não importa: nos cabe apenas o que nos pode ser oferecido". Eis a filosofia da bela cidade.

Embora Sodoma tenha dado origem a termos que representam a imoralidade sexual, a sodomia é um pecado bem mais grave do que esse, mas como o egoísmo e egocentrismo é prática comum nas atuais sociedades, não se vê o dano além da prática homossexual frisada por alguns religiosos.

O método sodomita parecia funcionar, já que essa filosofia colaborava no desempenho positivo na prosperidade de seus  moradores. O egoísmo gomorrita, acostumado desde criança a não compartilhar suas dádivas, nunca foi razão de prejuízo.

Sociedades como essa não dão chance de regeneração para ninguém, mesmo para pessoas boas como Ló, de linhagem de gente escolhida pelo próprio Deus.

Abraão, momentos antes, propôs a Deus que a região fosse poupada, caso houvessem, pelo menos, dez pessoas que não fossem malignas, condizentes com o perfil perverso dos habitantes dali.

A comunidade não pode ser poupada: era uma sociedade feita de pessoas irremediavelmente perversas. Alguns rabinos defendem que o sexo era usado como forma de subjugar seus visitantes, humilhar maldosamente os que lá chegavam, não havendo relação a fonte ou forma de prazer (tal prática é comum em alguns presídios espalhados pelo planeta).

Podemos encontrar em alguns textos da mitologia egípcia o uso do sexo homossexual entre os deuses de seu panteão como forma de domínio sobre o outro (uma dica de leitura para o assunto pode ser lida em Guerra de deuses e homens - Zecharia Sittin).

O egoísmo, se adotado como estilo de vida de uma sociedade, tende a denegrir moralmente qualquer cultura, apesar dos aparentes benefícios que tal prática pode oferecer. Certamente, a família de Ló, poupada de ser destruída junto com a cidade, foi afetada pelo meio em que estava inserido: a esposa se entrega à tentação de ser destruída junto com seus antigos vizinhos, transformando-se em estatua de sal, um . A incredulidade de seus genros também os mantiveram inertes na fuga, morrendo na certeza racional que o seu querer, mesmo que perverso, os manteria a salvo.

As duas filhas, sobreviventes, e já moralmente pervertidas, decidem embebedá-lo para manter relações sexuais com o próprio pai, para que dessem - na lógica sodomita - descendentes a linhagem de Ló. Os filhos-netos seriam Amom e Moabe, patriarcas de povos que seriam inimigos em muitas guerras de seu próprio povo, os descendentes do tio Abraão, que seriam chamados israelitas.

Novamente o racionalismo sodomita, que cuida apenas do que lhe parece bom a seus próprios interesses, sem limites ou ética, mostrou sua contaminação e capacidade de destruição, nos dando a clara certeza que o ideal é que nem Ló e sua família deveriam ter escapado da destruição da linda cidade.

Dentro disso, podemos entender que a sodomia está além do homossexualismo, mas fala muito mais a respeitos de um grupo de pessoas egoístas, preconceituosas com os que não são do seu meio, e que não tem limites em seus atos (já que suas certezas e sucesso são o "norte" de sua bussola que aponta que estão fazendo tudo certo.

Se você chegou a esse ponto da leitura e se sentiu incomodado com a descrição do que é ser sodomita - possivelmente por ter se enquadrado nela, reveja seus conceitos: não é novidade que Deus não se agrada do soberbo, e derruba a todos.