10 de julho de 2015

Como vai seu casamento?

 
Sou casado há quase vinte e cinco anos e depois desses anos, não posso dizer que confio nesses métodos mágicos de recuperação de casamentos em um fim de semana de curso (ou que seja em um mês). 

Mesmo assim, achei nessa page do Face, o Ministério de Casais, um texto interessante. 

O problema é: quem nunca? Abaixo sinais de uma relação desgastada (e dependendo do número de itens, falida).

1. O silêncio - Quando não há mais diálogo.

2. O desrespeito. ...

3. Pequenos motivos gerando grandes conflitos.

4. Encontros sexuais espaçados.

5. Problemas da vida a dois tornando-se públicos.

6. Outras pessoas começam a se tornar atraentes, provocando constantes pensamentos de adultério.

7. Tudo no outro irrita.

8. Não há mais prestação de contas.

9. Não compartilham mais sonhos, projetos e ideais.

10. A indiferença.

11. Não há mais oração e nem compromisso com a leitura da Palavra.

12. Acabaram as refeições com todos à mesa.

13. A família de origem do cônjuge não é mais bem vinda.

Infelizmente alguns casais quando param para uma revisão, o problema já está em um estágio muito adiantado. É sempre mais fácil uma solução quando o problema está no inicio. Por melhor que seja o seu casamento, a possibilidade do surgimento de um problema no caminho, existe, não espere para ver se as coisas se resolvem por si mesmas. Ao primeiro sinal de perigo em seu casamento, pare, peça ajuda, busque socorro, não trate com displicência aquilo que pode se tornar irreversível. Alguns casais quando me procuram é quase impossível reverter, só um milagre...

Uma viagem de longa distância é agradável quando os dois na primeira parada, dizem um para o outro: "Já chegamos aqui? O tempo passou tão rápido e não percebemos, que viagem maravilhosa!" Separe um momento para conversar com o seu cônjuge, sobre como está sendo a viagem conjugal de vocês. Tenha coragem de perguntar: - Está sendo bom para você viajar comigo? Em sua opinião, o que está faltando para a nossa viajem conjugal ser melhor? O que é necessário para que a viagem conjugal seja o mais agradável possível.

Pratique a arte do falar, ouvir e compreender.

Cuidado com a de comunicação na viagem! Tudo na vida depende de como você se comunica com Deus, consigo mesmo e com o próximo. A incapacidade para o diálogo é a causa do fracasso da maioria dos relacionamentos. Viajar ao lado de alguém que não pratica a arte da comunicação construtiva ou se comunica de forma errada, é uma tortura psicológica insuportável. Já ouvi muitos casais dizendo: "Não conseguimos conversar sem brigar, ou, dialogamos muito pouco". A saúde de um casamento pode ser determinada pela qualidade da comunicação que os dois desenvolvem no relacionamento.

Geralmente as pessoas que tem dificuldade de se comunicar, é porque foram educadas em uma família disfuncional. É imprescindível que os pais pratiquem com os seus filhos a arte do diálogo, para que no futuro eles saibam construir relacionamentos de confiança dentro e fora de casa. Vejamos alguns pontos imprescindíveis para o sucesso da comunicação no casamento:

Pratique a arte do ouvir

Uma das chaves mais importantes no relacionamento conjugal, está no "ouvir". Nenhum casamento floresce se os dois não treinarem a ouvir com excelência. Hebert Cohen, considerado um dos melhores negociadores do mundo, diz: "Para se ouvir de forma eficiente é preciso mais do que escutar as palavras que são ditas. É necessário compreender e descobrir o significado do que está sendo falado. A final de contas, o significado não está nas palavras, e sim nas pessoas”. Para ouvir é necessário atentar para algumas regras básicas:
Primeira regra: Ouça olhando nos olhos do cônjuge, com a mente desarmada e o coração aberto.

Uma questão de concentração. Só assim é possível ouvir para compreender, e não apenas para responder.

Ninguém gosta de conversar com alguém que ouve mais preocupado em dar respostas do que em compreender. A comunicação só é eficaz quando há interesse mútuo de compreender.


5 de julho de 2015

Tudo que pedir em seu nome, Jesus? Cadê?

Dia desses, um daqueles sujeitos que procuram motivos na bíblia para justificar sua volta ao velho homem veio com mais um versículo para esfregar na minha cara:
Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei. João 14.14.
- E aí? Já pediu uma Ferrari? E aquele emprego? Tá na presidência da companhia? Ou continua desempregado? Onde está teu deus?

Ele isolou a frase, esquecendo que tal promessa feita por Jesus é válida apenas para aqueles que estão em Cristo, e não notou que na frase seguinte Ele diz que aqueles que O amam cumprem seus mandamentos, que é amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a ti mesmo.

Meu inquisidor pensou ter achado mais uma controvérsia, já que nem todos os crentes legítimos do mundo tem os bens que qualquer pessoa normal poderia desejar.

Poderia responder que minha Ferrari não chegou AINDA, já que o tempo de Deus é diferente do tempo do homem, mas caso tivesse orado por um bem desses, segundo o versículo citado, teria conseguido certamente. O fabricante dessas belezuras mecânicas ficaria mais rico ainda se dependesse da unanimidade dos crentes da Terra, se resolvessem em uma oração conjunta e mundial, pedir aos céus que fossem presenteados, cada um, com um automóvel desses.

Poderia apelar para uma posição mais simples: só os que alcançaram a "iluminação" - como se discípulos cristãos fossem uma espécie de espírita em ascensão evolutiva reencarnatória -  e conseguissem compreender a verdade oculta nas Palavras do Messias sobre a prosperidade através da iluminação de um nirvana judaico inexistente nas Escrituras. 

Diante desse simplismo, eu estaria afirmando que os teólogos da prosperidade estariam certos e que as aquisições financeiras seriam sinais de uma vida abençoada. Isso não bate com o que o mesmo evangelho prega, quando Cristo fala sobre os dois deuses desse mundo: o Pai ou Mamom (O deus das riquezas ou "Fortuna", como alguns conhecem). Basta olharmos e percebermos quem realmente é um adorador e qual deus é usado para alcançar o outro. 

Muitos picaretas tem usado a religião para alcançar benefícios em nome do Criador há milênios, e como bons salafrários, sem um pingo de temor a Deus (mesmo porque, no fundo, não creem realmente que Ele exista) cerca-se de métodos para calar de alguma forma (seja o método que for, pela desmoralização, pelo falso testemunho, ou mesmo as últimas consequências: Mamom vale qualquer esforço dentro do coração deles).

Creio que uma pessoa que está ligada a Cristo não é dado a pedir coisas fúteis a Deus, mesmo que essa futilidade seja um sonho de consumo caríssimo. 

Como ouso declarar que uma mansão em um bairro nobre de alguma metrópole badalada é uma futilidade? Oras! Falo à discípulos de Cristo e não com adoradores de Mamom: são "fés" distintas...

A cabeça de quem está ligado ao Cristo - e consequentemente no Pai -  pensa diferente, tem prioridades e necessidades que não são como a do ser humano comum, independente de ter ou não uma religião. Não vivem para esse mundo, olham como fosse acampamento. É bom ter uma barraca confortável? Claro! Mas para que investir tanto numa tenda, já que não passa de uma estadia provisória?

Não falo de ser um iluminado tibetano, que encontrou o fim da caminhada através de profunda meditação e se livrou dos desejos mundanos: Jesus não ora para nos separar do mundo. Refiro-me àquele que se (re?) conecta ao céu, e gradativamente percebe lampejos de uma nova existência, e nessa percepção, necessidades diferenciadas das que era lugar comum entre os humanos que por aqui circulam. 

Possuo amigos que possuem bons carros e luxuoasas moradas e que, antes da conversão, tinham como fonte de alegria a aquisição e acumulo continuo de seus aparelhos eletrônicos, automóveis e vestimentas importadas. Após o encontro real, ocorrido como o de Nicodemus (numa calada da noite social) eles já não alcançam a alegria em trocar seus Iphones a cada novo modelo lançado. Na verdade, um deles nem acredita que um dia foi assim, e se classifica como ex-fútil. 

Não que um Porsche não ficasse bem na minha garagem, mas não teria como pagar nem os impostos anuais de um veículo com esses ( e se tivesse, sempre vivi bem sem luxos).Além do mais, não me faltam relatos de gente que se reaproximou muito mais rápido e profundamente das coisas de Deus através da falta, ao contrário do que fazem quando prosperam.

Olhe para dentro de você e responda sinceramente: as petições que você faz em seu íntimo são para qual Deus? Você procura os benefícios de Jeová para chegar a Mamom, ou é grato ao grande El Shaday pelos benefícios alcançados, mesmo que esses benefícios sejam apenas a capacidade de dar um pão com manteiga ao esfomeado que perece - merecidamente? - nos lixões existenciais?

"Buscai primeiro o Reino" - disse Jesus. É dentro desse Reino que você aprenderá a não pedir "mal"e alcançar tudo dEle, sem nunca ter uma negativa. Aí, ele te dará TUDO. Tudo que importa...

Meu amigo confunde os deuses requisitados, e não compreende os métodos celestes. Por isso ele vive dando esses vexames teológicos quando tenta achar furos bíblicos onde não existe.

14 de junho de 2015

Pausa por conta das novas confusões cristãs


Muitos chatos esfregam na minha cara o versículo escrito por Paulo à igreja de Corinto:
“porque Deus não é de confusão, e sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos” (1 Coríntios 14.33).
Pinçando um versículo, esquecem que no Juízo descrito por Jesus, a quem Paulo servia, havia muita confusão: os que diziam "Senhor, Senhor" e se apresentavam como servos do Deus Altíssimo - prestando serviços espirituais-  nunca foram reconhecidos pelo Messias:
"Afasta-te de mim! Nunca te conheci!" -  bradou o Rei dos reis, chamando-os de bodes e reservando a estes o castigo eterno.
Já os que nem sabiam quem era Jesus foram abraçados com grande satisfação por Ele, mesmo com eles, estes que diziam não saber quem Ele era, confessando que não lembraram de onde os teria visto antes. Jesus os conhecia, eles não.

Deus não se guia por cerimoniais e declarações. Só por legitimidades.

Imagine a confusão que será naquele momento.

Não sou perito em animais, não consigo determinar espiritualmente o que é um bode ou uma ovelha, mas pelo comportamento de uma alma vejo sombras do que seria cada um. Coisas que só se consegue determinar na intimidade da convivência de cada um, e esse meu pensamento não parece ser o que a grande maioria aceita.

Sou rotulado de "confuso" por isso.

Jesus não era dado a se aliar com a liderança de sua época. Os líderes espirituais de seu povo escolhido, os fariseus, poderiam dar o aval necessário para que o Cristo fosse aceito por todo o povo. Politicamente, seria bem melhor: ele tinha os milagres, os sinais, a interpretação correta das Escrituras.

Mas Jesus, esse Deus diferenciado dos outros deuses por sua imprevisibilidade e falta de obviedade, preferia se excusar de ganhar popularidade ao andar com a liderança "certa" e atendia líderes às ocultas, como no caso de Nicodemos, que na calada da noite foi procurar mais informações com aquele jovem mestre que surgia da inexpressiva cidade de Nazaré.

Não seria mais fácil nosso amado Mestre ter se associado àqueles que tinham a população na mão? Traçar um projeto com os já conhecidos e populares líderes religiosos aos quais o povo já aceitava e seguia cegamente? Eles eram de Deus! Serviam no Templo, cumpriam às Escrituras a risca e zelosamente.

Além do mais, Jesus parecia ignorar o poder político deles. Como de fato aconteceu, esses fariseus tinham como condenar o Cristo, fazendo com que o povo escolhido de Deus pudesse - inclusive - condenar a morte seu próprio Criador, influenciados pela popularidade do clamor.

Crucifica! Crucifica! - gritava o povo que horas antes gritava ao mesmo condenado "Bendito o que vem em nome do Senhor".

Popularidade não é nada, meu amigo. Não se impressione com os abraços emocionados dos que elogiam seu testemunho e trajetória espiritual. Diante de qualquer boato - ou mesmo erros e pecados reais em sua vida - eles estarão, possivelmente, na primeira fila, com pedras nas mãos, esperando para destruir o  maldito ofendedor de Deus.

Jesus sempre soube disso. Desde sempre. Ele pareceu confuso a todos, inclusive aos seus discípulos. Seus apóstolos não compreendiam a cruz, não entendiam a necessidade de levar o Evangelho aos inferiores e impuros(aos quais, todos, sem exceção - judeu ou não -  fazemos parte).

Não que eu tenha escolhido parar de escrever. A inspiração me abandonou.

Percebi que os bodes aplaudiam minha escrita. Notei que seus comentários imbecis achavam algum tipo de pacto com minhas ideias. Eu não tenho nome aqui. Está numa pedra branca que segue nas mãos de meu Mestre (assim espero, caso não seja mais um desavisado bode).

Entristeci-me. Cai de joelhos e implorei perdão ao meu Senhor. Estou satisfeito em ser um anônimo, mas não quero ser usado como voz de gente que trabalha em prol do inferno, mesmo quando garante ser funcionário exemplar do céu, mostrando credenciais com o orgulho de quem pensa ter um quadro de gerente do mês em alguma parede do paraíso, ao qual presta muitas vezes um "desserviço" ao Reino.

Encerro parafraseando uma frase de um pregador que já há algum tempo ouço, Éd Renê Kivitz:
Existe dois tipos de pessoas: pecadores que reconhecem o quão miseráveis são, e os pecadores que acham que não o são...


1 de maio de 2015

Porteiro de Prostíbulo - uma história real

Não havia no povoado pior emprego do que ‘porteiro da zona’. Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem?

O fato é que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, não tinha nenhuma outra atividade ou ofício.

Um dia, entrou como gerente do puteiro um jovem cheio de ideias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento.

Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções.

Ao porteiro disse:

– A partir de hoje, o senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram e seus comentários e reclamações sobre os serviços.

– Eu adoraria fazer isso, senhor, balbuciou – Mas eu não sei ler nem escrever.

– Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui.

– Mas senhor, não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa.

– Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo senhor. Vamos dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu sinto muito e que tenha sorte.

Dito isso, deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer?

Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho.

Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego.

Mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado.

Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa.

Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra. E assim fez.

No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:

– Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar.

– Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar, já que…

– Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.

– Se é assim, está bem.

Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:

– Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?

– Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias de viagem, de mula.

– Façamos um trato – disse o vizinho.

Eu pagarei os dias de ida e volta, mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento. Que lhe parece?

Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias. Aceitou.

Voltou a montar na sua mula e viajou.

No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.

– Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo.

Eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras.

Que lhe parece?

O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: ‘não disponho de tempo para viajar para fazer compras’.

Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas.

Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro, trazendo mais ferramentas do que as que já havia vendido.

De fato, poderia economizar algum tempo em viagens.

A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem, faziam encomendas.

Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes.

Com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão e transformou o galpão na primeira loja de ferragens do povoado. Todos estavam contentes e compravam dele.

Já não viajava, os fabricantes lhe enviavam os pedidos. Ele era um bom cliente. Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, a ter de gastar dias em viagens.

Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos.

E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc …

E após foram os pregos e os parafusos…

Em poucos anos, ele se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas.

Um dia decidiu doar uma escola ao povoado.

Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício.

No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e disse:

– É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do livro de atas desta nova escola.

– A honra seria minha, disse o homem. Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou analfabeto.

– O Senhor? disse incrédulo o prefeito. O senhor construiu um império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado. Eu pergunto:

– O que teria sido do senhor se soubesse ler e escrever?

– Isso eu posso responder, disse o homem com toda a calma: – Se eu soubesse ler e escrever… ainda seria o PORTEIRO DO PUTEIRO

Essa história é verídica, e refere-se a um grande industrial chamado… Valentin Tramontina, fundador das Indústrias Tramontina, que hoje tem 10 fábricas, 5.500 empregados, produz 24 milhões de unidades variadas por mês e exporta com marca própria para mais de 120 países – é a única empresa genuinamente brasileira nessa condição. A cidadezinha citada é Carlos Barbosa, e fica no interior do Rio Grande do Sul (existe na Internet quem conteste a história).

Geralmente as mudanças são vistas como adversidades.

As adversidades podem ser bênçãos.

As crises estão cheias de oportunidades.

Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.

Lembre-se da sabedoria da água: ‘A água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna’.

Que a sua vida seja cheia de vitórias, não importa se são grandes ou pequenas, o importante é comemorar cada uma delas.

Vi aqui

23 de abril de 2015

O ladrão e minha dificuldade em perdoar.

- O que? Ele não quer dar o celular? Dá um tiro nele logo... "nóis é" o crime!

Assim disse o sujeito da moto, quando meu filho resolveu não dar o aparelho ao outro ladrão, que desceu da garupa com arma em punho e recolhia os aparelhos de mais dois amigos dele. Os ladrões eram jovens (e não sei se cabe aqui a discussão se eles tinham anos a mais ou a menos para serem punidos pela Lei) e não se importavam que eram duas da tarde de uma quinta-feira, e nem do ponto de ônibus  - onde esperavam o ônibus que os levariam para o trabalho -  estar cheio de testemunhas.

Gabriel, debaixo de ameaças de morte e com uma eminente coronhada prometida, entregou a contragosto o celular, o segundo aparelho roubado em menos de um ano. Chorou de raiva. Não era um "top" de linha, mas ele trabalhou para obtê-lo e ainda nem estava pago. O mesmo aconteceu com os outros dois rapazes roubados: eles se submetem a empregos ruins para conseguir um salário baixo, mas que possa bancar a prestação de seus sonhos de consumo.

Gabriel pegou o coletivo e trabalhou - como sempre faz -  até as dez da noite, sem nos avisar do roubo. Descobrimos antes, de forma angustiante. Uma voz infantil ligou usando o chip do aparelho por volta das oito da noite.

- Oi. O celular do seu filho foi roubado e tá aqui na biqueira* apitando. Queremos devolver, estamos com medo da policia baixar aqui por conta do localizador do celular... Manda ele vir buscar...

Descobrimos depois que a mesma pessoa ligou para diversos contatos da agenda contida no chip: hora pediam senha do aparelho (que estava programado para "resetar", caso alcançasse dez tentativas sucessivas de desbloqueio sem sucesso), hora faziam ameaças. Queriam o endereço da minha casa.

*Biqueira, caso alguém não saiba, é como chamam atualmente aqui em São Paulo o lugar onde se vende drogas. Os aparelhos estão lá, inúteis em uma gaveta (já que podem ser localizados) e serviram como moeda de troca de algum novo revendedor de drogas na região. Um conhecido disse que certas assistências técnicas pegam os aparelhos para utilizar as peças na manutenção de outros aparelhos. Isso já acontece no "mercado" de furto de carros.

Já há algum tempo que são frequentes os roubos em pontos de ônibus acontecem na região. As vezes fazem as 6 da manhã, quando a pessoa se dirige para o trabalho. A polícia, na maioria dos casos, foi notificada. Segundo um dos moços que procurou uma delegacia para fazer o boletim de ocorrência, o pessoal lá não dá muita atenção para este tipo de caso. Infelizmente, creio que será necessário que alguém morra e a imprensa divulgue o caso para que isso possa ser investigado.

Na região não faltam comandos policiais recolhendo carros irregulares aos pátios, e nos bairros mais "ricos", o policiamento é mais ostensivo. Por isso, o bandido hoje rouba o que vive na periferia e na favela.

Todos sabem que estamos sendo roubados, todos sabem onde fica o ponto de tráfico. A luz do dia, testemunhas, câmeras de segurança, não inibe a necessidade do candidato a bandido cometer suas covardias com arma em punho.

Um versículo que sempre me incomoda em dias como este é:

Eis que venho como ladrão - Apocalipse 16.15

Sim. Tenho dificuldade em lidar com essa injustiça, aceitar pessoas que deliberadamente colocam armas na cara de pessoas e levam, pela violência e intimidação, coisas que nunca fizeram por ter.

Sabe aquelas pessoas que, ao observar o motoqueiro empinar com sua moto, torce intimamente para que ele caia? Sou cristão: me surpreende que certos sentimentos me invadam.

O discurso certo é perdoar quem me agride, mas meu filho foi atingido- e vários amigos, deles e meu - que perdem periodicamente seus bens para que um jovem tente ingressar no tráfico (ou consumir do mesmo), gritando com revolver na mão que ele é o "Crime" enquanto leva o bem da empregada que comprou em 12 vezes sem juros nas Casas Bahia, geram em mim um sentimento confuso, uma satisfação íntima quando imagino que - logicamente - em breve esses moços estarão amargando alguma vala anônima, ou levando toda a família a visitá-lo em alguma penitenciária. 

Eu sei: eles podem se converter e, em um belo dia, estarem de mãos dadas comigo na Igreja, cantando corinhos sobre a Graça divina. Mas por hora, são apenas homens de Belial, e como tal, seus dias serão abreviados na Terra.

Mas por que Cristo escolheu justamente um ladrão para explicar a forma que Ele virá a cada um de nós?

Quando se é assaltado, o sentimento de impotência habitualmente nos invade. Dias depois, ainda simulamos como teria sido se agíssemos de forma diferente, se ao invés de irmos por certo caminho escolhêssemos outro, se pudéssemos estar alertas a algo que parece tão óbvio depois que acontecesse. Saber se defender, enxergar o que estava se desenhando a nossa volta.

Costumo estar bem atento quando procuro caixas eletrônicos. Sei que já escapei de algumas ciladas, quando observei que algumas coisas não se encaixavam no ambiente onde precisava sacar meu salário. Via que algo estava estranho na atitude de um ou outro individuo que não faziam o que deveria ser feito nesse tipo de lugar.

Sim. A necessidade de estar em constante alerta explica a pretensão de Cristo de vir no tempo Dele e não no nosso. Procurar estar preparados para esse encontro a cada instante é a proposta de Cristo.

Quanto ao Ladrão, que rouba para comprar drogas para revenda, o faz porque há quem consuma desse mercado. E se polícia, por exemplo, sabe desse mal e não reprime, nem no roubo  - mais complicado de pegar - ou na biqueira, onde todos conhecem e consomem, deixa em nós uma sensação de que filmes como Tropa de Elite ou Cidade de Deus não são tão exagerados.