terça-feira, 16 de setembro de 2014

A RES É PÚBLICA, MAS A COSA É NOSTRA

por Ed René Kivitz

A mistura entre religião e política é nitroglicerina pura. Quem mexe na coisa com displicência ou de maneira inadequada corre riscos de ver a mistura explodir causando danos não raras vezes irreparáveis. Essa nitroglicerina entrou de vez, e pela porta dos fundos, diga-se de passagem, no atual cenário eleitoral. Os apoios dos religiosos aos candidatos nas próximas eleições ocupam as páginas dos jornais e as mídias virtuais. Estão presentes também nos púlpitos das igrejas, notadamente aquelas caracterizadas por lideranças de pendor autoritário – não admitem questionamento e muito menos contestação – no modelo clericalista tipo “a igreja é minha”. Pastores, bispos e apóstolos “abençoam” publicamente seus respectivos candidatos, com direito a orações, discursos e defesas em nome da fé e de Deus. As fronteiras entre templos e praças públicas, púlpitos e palanques, fiéis e eleitorado, guias espirituais e cabos eleitorais foram absolutamente devassadas. As comunidades de fé são transformadas em currais eleitorais e o antigo “voto de cabresto” foi substituído por algo mais sofisticado, o “voto de cajado”, numa referência ao abuso da autoridade pastoral sobre seus rebanhos.
Não faltam vozes condenando tais alianças entre igrejas e candidatos e partidos políticos. Mas, por que razão a prática é considerada inadmissível? O que existe de errado em uma igreja apoiar a eleição de um candidato com quem poderá contar caso ele seja realmente eleito? Por que razão o chamado “voto de cajado”, em que as lideranças religiosas manipulam seus rebanhos para a adesão massiva a um candidato é considerada inaceitável? Não basta dizer que “isso não é ético”. É preciso explicar porque.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Mal acostumada

por Angela Natel

Acho que fiquei mal acostumada:
Quando faço um favor, espero ouvir 'Obrigado'.

Acho que fiquei mal acostumada:
Quando me torno acessível, espero um amigo, não ser usada.

Me desculpe, acho que fiquei mal acostumada:
não desejo que usem o que publico contra mim, contra ninguém,
nem como desculpa para cobrar nada de quem quer que seja.

Acho que fiquei mal acostumada:
espero gentileza, educação, humanidade.
Esqueci que essas coisas há muito
não fazem mais parte da normalidade.

Me perdoe, acho que errei a porta, disquei o número errado,
e esperei compreensão, não ser por isso condenada.

Acho que fiquei mal acostumada,
e esperei ser tratada como pessoa, com dignidade.
Esperei receber pelo meu trabalho,
esperei não ser maltratada,
muito menos rotulada.

Me perdoe, ninguém tem culpa, nem responsabilidade.
Apenas eu, que fiquei mal acostumada.
Me perdoe as falsas expectativas, as cobranças, a rispidez.
Fiquei mal acostumada, foi estupidez.

sábado, 13 de setembro de 2014

Existe diferença nos comportamentos quando estamos em redes sociais?

 Sujeito pega o celular e, discretamente, fotografa a moça que faz sua caminhada, até que algo inesperado acontece e muda totalmente a história.Veja a sequencia de imagens e entenda:

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Lembra do garoto "Eu vejo gente morta"? Mudou um pouquinho...


Haley Joel Osment, que ficou conhecido como o garoto do filme Sexto Sentido, está irreconhecível em seu novo filme, onde fará um filme interpretando um velho nazista decrépito.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A dificuldade apostólica de aceitar o que Deus já aceitou

por Zé Luís

Está lá, eternizado nas cartas - feitas – sagradas, sem que ninguém se desse conta: Os seguidores de Jesus não conseguiam aceitar o tamanho da liberdade que a cruz tinha trazido.

Certo fariseu de cidadania romana e convertido a Cristo, andava espalhando fora do reduto religioso - onde se originou toda a história sobre certo filho de Deus que morreu para salvar os que Nele acreditavam – que a Lei por onde os judeus viviam já não tinha mais poder sobre aqueles que assim o aceitavam (o tal nazareno morrera no lugar daqueles que viviam errando, segundo a tal Lei).

Paulo – esse era o nome do tal fariseu convertido - dizia que tudo podia: comer carne de porco, coelho, inseto. Não era mais necessário guardar sábado, nem tão pouco se preocupar por se contaminar por tocar certas coisas – ditas - imundas. Embora nem tudo pudesse ser conveniente, tudo era permitido, bastando apenas estar em paz com a consciência, já que essa fora renovada pelo Espírito, que inunda todo aquele que a Cristo aceita.

O problema é que aqueles que, por pregação de Pedro e outros discípulos se convertiam, sempre nas províncias judias, e nunca entre estrangeiros como os convertidos através de Saulo - outro nome de Paulo – fazia, não tinham essa certeza toda.

Pedro, é verdade, não tinha problema com isso. Quando esteve visitando o ex-fariseu na Galácia, província lá para os lados da atual Turquia, sentou a mesa com os gentios (nome dado aos estrangeiros não judeus) e serviu-se do que a mesa oferecia, sem a preocupação israelita comum do que era puro ou impuro: ele já não vivia pela Lei, aprendeu isso diretamente com Jesus, e portanto poderia comer o que a vida lhe trazia como alimento.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Questões de ponto de vista, pesos e medidas,...



... o que realmente é certo, e o que eu invento ser certo e errado, me valendo da minha compreensão pessoal do que é sagrado para fazer valer minha opinião sobre os outros...

E assim por diante...

Esqueci alguma coisa?

O que pode substituir aquele vazio longínquo no fundo da alma?

 tradução: Zé Luís 

 Estou convencido que a raça humana busca instintivamente duas coisas.

Ansiamos por significado, entender de que forma nossa existência importa ao mundo a nossa volta. E ansiamos por comunhão, por nos sentirmos aceitos, amados.

Embora cristãos e não cristãos possam concordar com o diagnóstico, discordamos com a forma de cura. Diferentemente da mulher samaritana*, nem todos escolhem o simples ato de abandonar o cântaro de água quando Jesus promete saciar sua sede. 

Mencionando um exemplo, a filha de Bertrand Russell, famoso ateu, conta que seu pai "passou a vida na busca por Deus: 

"... Em algum lugar da mente de meu pai, na conexão para seu coração, nas profundezas de sua alma, havia um espaço vazio que uma vez foi preenchido por Deus, e ele nunca encontrou nada que pudesse substituir e preencher esse espaço."

Nas palavras de Bertrand Russel, "Isto é uma escuridão externa, e quando eu morrer, ela estará do lado de dentro."

[do livro "Vanishing Grace: O que tem acontecido com as Boas Novas?", a ser lançado em Outubro de 2014]

*João 4