25 de março de 2015

A maldição de ser um divorciado


- Sou uma amaldiçoada...- disse a irmã, numa postura que expunha uma tristeza maior do que ela gostaria de mostrar.
- Por que diz isso, irmã? - indaguei.
- Estou no fim do meu segundo casamento. Viúva do primeiro, separada no segundo, incompatibilidade de gênios. Nos separamos para que não se perpetuassem as brigas diante de nossos filhos (de casamentos diferentes). Decidimos que o melhor seria ir cada um para seu lado...
- Entendi. Mas isso te amaldiçoou? De que forma?

Foi então que ela sacou o versículo.
Ele respondeu: "Todo aquele que se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério contra ela. E, se ela se divorciar de seu marido e se casar com outro homem, estará cometendo adultério". Marcos 10: 11-12
Entendi a maldição.

Ela estava condenada a não casar nunca mais,  a não ter mais ninguém, a não amar eroticamente mais nenhum homem. Nem seu ex-marido poderia (que se separara da primeira esposa por causa do adultério de sua primeira esposa, o que autorizaria um novo casamento).

O capítulo 10 de Marcos trata disso:

Fariseus aparecem com seu livro de regras questionando sobre a opinião de Jesus sobre o divórcio. Era uma questão difícil e tentavam pegar o Mestre em uma resposta que pudesse ser usada contra ele. 

Contexto:

21 de março de 2015

Não há sexo no paraíso

sem sexo no céu

Uma das curiosidades que nos assalta quando nossa fé permite imaginar como seria a outra vida está na relação ao sexo em relação ao céu. Alguém – que se julgue menos interessado na questão, ou que se declare isento dessas humanidades – pode afirmar que o isso é uma questão tola, e não merece ser meditada, já que a vida no Senhor está acima dessas mundanices, e que isso não atinge um crente no nível dele.

Pode ser que sim: Jesus fala que alguns nascem eunucos, outros são feitos pelos homens, outros ainda se fazem assim em nome do Reino. Mas existem os que não são eunucos. Vale lembrar (Matheus 19.12).

Sinto informa-lhe que a necessidade do sexo anda de mãos dadas com pessoas saudáveis (física e emocionalmente) e que a questão é tão pertinente que existem religiões que prometem recompensas sexuais pós-morte. Ou nunca ouviu falar das quarenta virgens esperando os fiéis que se explodem nas causas de sua crença?

18 de março de 2015

Assista: Quer falar com Deus? Dispa-se das máscaras - KIVITZ


"Não é possível completar sua chamada."... dizia a resposta de oração.

Ao contrário do que pensamos, para chegarmos a Deus, não temos quase nada a vestir, mas muito mais a despir.

Certa vez um estudante de hebraico explicou-me para que serve o KIPÁ (aquele "chapeuzinho" usado pelos judeus em cerimônias religiosas): Resumidamente, representa a presença constante de "D'us", onde, "do kipá para baixo sou eu, do kipá para cima, é o Senhor".

Compreender essa divisão de valores entre o que somos e quem Ele é a verdadeira sabedoria, já que nessa consciência reside o temor (e curiosamente a confiança).

Deus tem propósitos para sua existência? Possivelmente. Acontece sempre que nos predispomos a isso. Mas até chegarmos diante da presença que nos dirá realmente seu plano, temos que entender o que e quem somos. No trecho abaixo, o pastor Éd Renê fala um pouco sobre essa prioridade básica de Deus para falar conosco.

16 de março de 2015

Não assisto novela. Talvez por ter saído do Matrix.



Durante um sermão, o então pregador citou um nome, exemplificando um comportamento típico de um personagem bíblico relacionado a esse.

É comum sentir-me um total desinformado quando alguém comenta fontes no estilo "Ivan Karamazov, personagem autor de 'O Grande Inquisidor' de Dostoiévski", me obrigando a ler um livro como "Os Irmãos Karamazov" só para não ficar por fora.

Mas quem era aquele personagem citado? Minha esposa do lado também não sabia. Mas ela não é de se aventurar em livros como eu. Vi ali uma possibilidade de encontrar, quem sabe, algo para minha edificação.

Acabou o culto, e fui até o pregador. Decepção ao saber a quem ele se referia. E espanto do pregador: era um vilão simpático de uma novela do momento.

- Sério que você não conhece? - disse ele, espantado.
- Sério que você assiste novelas? - respondi.

13 de março de 2015

Eu, um crente, em meio a homossexuais

Tinha quase quarenta quando fui promovido na empresa onde trabalhei por quase dez anos.

Crentes e gays no trabalho

Trabalhava prestando serviços de informática nas lojas de uma grande rede de varejo, quando recebi um telefonema no meio de uma viagem: retorne, pois o gerente geral quer falar com você. Era uma proposta para trabalhar com os coordenadores da área que eu exercia. Acabariam-se as longas viagens e eu, finalmente, auxiliaria na organização do trabalho dos meus colegas de rua, internamente, com mesa, computador e ramal.

Era conhecido por eles como crente, embora isso nunca tenha feito me sentir diferenciado ou mais santo. Muitas vezes me sentia um impostor, pois ser chamado cristão é parecer com cristo, o que não é coisa para muitos. 

Na época que era técnico de rua, haviam viagens e eu não tinha por hábito sair com os colegas de serviço depois do expediente, ou mesmo beber socialmente. Não que isso fosse pecado (mesmo o álcool),mas antes da conversão eu não tinha controle com a bebida, e ganhar esse controle era algo extremamente gratificante, Para eles, que diziam ter controle, não havia sentido em minha abstinência, mas conseguir ficar sem algo no qual eu era obcecado era um milagre e coisas sacras devem ser respeitadas. 

Esses pequenos detalhes, creio eu, me deram a fama, e essa fama em ser evangélico me trouxe alguns problemas nessa nova fase.

Alguns dos colegas do departamento eram homossexuais: assumidos sabidamente eram três, e eles me evitavam. Não: não pense você que haviam alguma energia em mim que causava repulsa naqueles senhores. eles não me olhavam na cara, e sem que eu abrisse a boca, me ignoravam sistematicamente.

Tempos depois aconteceu algo.

Foi quando um dos meus encarregados, que sabia exatamente do que se tratava, teve uma ideia: precisamos de um supervisor de cada setor na filial que será inaugurada. O trabalho durará três dias até que a loja esteja pronta. Quem vocês sugerem que eu envie? perguntou ele à equipe, e como sempre tem um gaiato no grupo, não demorou a sugerir meu nome e a do Gerson (nome fictício), um dos gays mais idosos do setor. Quando cheguei ao setor, já estava tudo decidido: nos próximos dias, eu e Gerson estaríamos visitando a loja que seria inaugurada em Guarulhos, São Paulo.